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O ‘barato’ de sair do Amapá de navio

Por: Bianca Castro - 20/07/2016 - 13:45

Foto: Bianca Castro

Com o alto preço das passagens aéreas durante o mês de julho e, para não perder os dias de folga, o amapaense acaba escolhendo outras opções, como a viagem de navio. Atualmente, as grandes embarcações que fazem o trajeto para a capital paraense, saem de Santana, o segundo maior município do Amapá. Mas, a chegada ao navio é um desafio!

Primeiro, os viajantes tem que enfrentar o caos no trânsito. Pois, as ruas que dão acesso ao porto são estreitas demais e o fluxo de carros fica gigantesco nos horários de pico. Como não há estacionamento para embarque e desembarque, o Batalhão de Policiamento de Trânsito (BPRE) tenta ajudar os motoristas. Mesmo assim, com as ruas sem meio fio, nem planejamento, o engarrafamento é inevitável.

Os passageiros descem dos carros no meio da rua com malas e caixas e, logo, são rodeados por carregadores famintos por trabalho. Sem alternativa, muitos passageiros acabam utilizando o serviço, já que o navio fica longe do porto cerca de 60 metros, que devem ser percorridos a pé.

Os carrinhos cobram por mala e os valores variam de R$ 10 a R$ 30, só para chegar à embarcação, ou sair no horário de chegada dos navios. Para completar o caos, o Porto do Grego não possui as características de um porto. Na verdade, ele não passa de uma grande balsa ancorada em uma pequena ponte de madeira, que serve de apoio para os passageiros, carros e até caminhões que chegam próximo das embarcações para descarregar produtos que saem ou chegam.

Todos os dias, pessoas e automóveis dividem o mesmo espaço apertado e bagunçado. Os bilhetes de navio são oferecidos como opções mais baratas em redes em espaços abertos, ou camarotes com banheiro e ar-condicionado. Os valores variam de R$ 80 a R$ 300 e a viagem de Santana (AP) para Belém (PA) dura aproximadamentem 22 horas. Existem quatro navios que fazem a viagem em horários alternados pela manhã e à tarde.

Cada uma oferece duas filas para embarque: uma para a compra de bilhete de passagens e outra para trocar pelo ticket checking. Todos devem apresentar carteira de identidade e autorização de juiz para viajar com crianças. Tudo isso embaixo de um sol quente. Pois, não há teto ou qualquer outro tipo de cobertura no porto e nem banheiro, apenas barraquinhas de sol improvisadas.

E quando, finalmente, se consegue entrar no navio, vem o aperto. As redes ficam coladinhas umas nas outras. E o conforto é quase inexistente no mês de julho. Mas, tem gente que gosta! Dona Nazaré Dias, diz que viaja por lazer, com muito prazer e que a paisagem pela Amazônia faz tudo isso valer a pena. Já a dona de casa Sônia Almeida disse que só foi de navio por falta de condições financeiras para pagar as passagens áreas com preços exorbitantes de mais de R$ 1.500 só de ida para Belém.

A Capitania dos Portos faz vistoria na lista de passageiros para verificar a lotação das embarcações e o peso de cada navio, para evitar acidentes, encalhamentos no trajeto ou naufrágios por excesso no limite de peso. Se tudo estiver regularizado, o navio é liberado para viagem levando e trazendo pessoas cheias de vontade de curtir as férias de julho.

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