Com a epidemia de dengue e o crescente número de casos febre chikungunya e até mesmo, microcefalia associada à ocorrência do zika vírus em todo o país, pessoas, incluindo gestantes, têm recorrido ao uso de repelentes para tentar se proteger das picadas do Aedes aegypt, mosquito transmissor dessas doenças.
Acatando recomendação feita pelo Ministério da Saúde, nem todo o repelente pode ser usado por crianças e grávidas. Além disso, os vários tipos do produto possuem tempo de ação diferentes, o que pode comprometer a eficácia da proteção, como alertou a infectologista Adriana Medeiros. Ela diz que o repelente deve ser aplicado, no máximo três vezes por dia, em grávidas. Caso contrário, o produto pode até dar complicações.
O repelente cria uma espécie de nuvem de proteção na pessoa. O produto entra cerca de 3 a 4 centímetros na pele. O cheiro e o gosto são o que espantam o mosquito. Ninguém precisa passar em zonas da pele que estão cobertas com roupa, pois isso faz abafar e prejudicar a respiração da pele. O ideal é que as gestantes procurem orientação médica antes de fazerem uso desse tipo de produto. E, principalmente, ninguém deve dormir com o corpo cheio de repelente.
Os repelentes aprovados pela Anvisa são praticamente iguais. O que muda são os tempos de duração de cada um. O uso de adultos é diferente do uso em crianças. São três os princípios ativos dos repelentes comercializados no Brasil aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Os produtos também diferentes quanto à indicação de uso.
O IR 35 é de uso tópico e é tido como seguro para gestantes, sendo indicado, inclusive, para crianças a partir dos seis meses até os dois anos de idade, mediante orientação de um pediatra. Um exemplo é a loção antimosquito Johnson’s. Entretanto, o tempo de durabilidade é bem curto e precisa ser reaplicado a cada duas horas.
Outro repelente é o deet, que é considerado em gestantes, mas o produto não deve ser utilizado em crianças menores de dois anos. Já para os pequenos entre dois e 12 anos, a concentração do princípio ativo deve ser de no máximo 10% e a aplicação deve ser feita, até três vezes por dia, como os produtos Off, Autan, Repelex, que duram cerca de 6 horas de proteção. Já a versão infantil dura apenas duas horas e os pais devem ficar atentos.
Outro produto é o repelente Iscaridin, por oferecer o período de ação mais prolongado. A proteção chega a até 10 horas. Ele também pode ser usado por crianças a partir dos 2 anos. Além de observar as instruções do fabricante, os médicos recomendam:
- evite aplicar nas mãos das crianças, pois ela pode colocar na boca;
- aplique na pele por cima das roupas, nunca por baixo;
- o repelente deve ser aplicado 15 minutos depois do uso de filtros solares, maquiagens e hidratantes;
- nunca aplique o produto próximo aos olhos, nariz, boca ou genitais;
- sempre lave as mãos após aplicação do repelente;
- nunca se esqueça de usar o produto, no máximo, até três vezes ao dia;
- em caso de suspeita de qualquer reação ou intoxicação, lave a área exposta imediatamente e procure o médico, como explicou Carlos Alberto, infectologista.
São as gestantes o alvo principal da campanha de conscientização. A microcefalia é uma doença muito séria e, pode sim, atingir crianças quando estão na condição de feto. Então as mães devem se prevenir.
O uso de calças e sapatos fechados também ajuda na hora de manter o mosquito longe de adultos e crianças. Para continuar assim, as pessoas devem procurar tirar sempre a água parada do quintal e de dentro de casa. Pois o mosquito se cria em água limpa e parada. É preciso, também, que a Funasa continue com os fumacês para evitar a proliferação do Aedes aegypti. Todos juntos no combate ao mosquito que transmite, além da dengue, a febre chikungunya, o zika vírus e a febre amarela.
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